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Faculdade de Comunicação da UFPA debate jornalismo investigativo na era digital com Adriano Wilkson 

Publicado: Quarta, 17 Junho 2026 19:54 | Última Atualização: Sexta, 14 Agosto 2026 19:41 | Acessos: 28

Encontro reuniu estudantes e destacou a importância do jornalismo independente, crítico e comprometido com a apuração.

 

Ayla Ferreira*

 

Na quinta-feira (11), estudantes de diferentes semestres do curso de Jornalismo da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal do Pará (UFPA) participaram da palestra "Desafios do Jornalismo Investigativo na era digital", ministrada pelo jornalista investigativo independente Adriano Wilkson.

 

O evento foi fruto da disciplina “Laboratório de Redação Integrada”, ministrada pelo professor Elson Santos à turma de Jornalismo 2022. Com foco no jornalismo investigativo, a disciplina estimula o senso crítico dos estudantes e reforça a importância da apuração rigorosa e da checagem de fatos para a construção de pautas, especialmente na região amazônica. A palestra foi resultado de um trabalho coletivo da turma, que organizou comissões entre alunos e possibilitou a realização do evento.

 

Estudantes de Jornalismo participaram de palestra sobre jornalismo investigativo promovida pela disciplina Laboratório de Redação Integrada da Facom. (Foto: João Paulo Costa)

 

“A disciplina é muito importante para dar voz a quem precisa. Atualmente, passamos por várias situações que atravessam a política, por exemplo, e conseguimos enxergar como ela torna algo esquecido ou negado, como protagonista e visível”, diz o professor Elson Santos. Ele considera Adriano Wilkson uma referência na área, sendo citado com frequência nas aulas. Para o docente, ter a presença do repórter investigativo é uma forma de aproximar uma das referências na área para o cotidiano dos alunos.

 

O professor destaca que os alunos da Facom estão cada vez mais voltados para projetos independentes, como as revistas Cabanos, Guajará, Parauaras e Limiares. Elson avalia que o evento é uma forma de mostrar aos estudantes que, mesmo com as dificuldades, é possível seguir na produção dos projetos com o propósito de levar informação com qualidade e ética.

 

Ex-aluno da Facom, Adriano Wilkson conversou com os estudantes sobre os desafios, caminhos e perspectivas do jornalismo investigativo na era digital. Com passagens por veículos como Folha de São Paulo, UOL e Globoplay, o repórter atuou por anos no jornalismo esportivo como setorista de times de futebol de São Paulo, dividido entre a rotina do Santos, Corinthians, São Paulo e Palmeiras.

 

Foi na cobertura esportiva que Adriano teve os primeiros contatos com o jornalismo investigativo.Na palestra, ele detalhou o trabalho de construção do podcast "UOL Esporte Histórias: Os Grampos de Robinho", investigação do UOL sobre o ex-jogador Robinho após o caso de estupro coletivo ocorrido em 2013, em uma boate de Milão, na Itália. Ao longo dos episódios, a equipe do repórter contou com acesso privilegiado a áudios e conversas entre o jogador e amigos. Ele destacou a importância da checagem minuciosa e da boa relação e conexão com fontes para o acesso a determinadas informações.

 

Jornalismo independente nas redes sociais

 

Com mais de 100 mil seguidores no Instagram e quase 40 mil no TikTok, o repórter se adaptou aos formatos informativos curtos para ampliar o acesso à informação apurada de interesse público. Mesmo com os desafios citados por ele na palestra, como a baixa remuneração pelos aplicativos e a necessidade de adaptar conteúdos para cada tipo de rede social, Adriano vê na internet o apoio de comunidades e o retorno que vai além do financeiro.

 

“Infelizmente, no Pará, o jornalismo vive uma situação onde ele está submetido ao interesse das famílias, das grandes corporações e empresas, que dominam e impedem o jornalista de cumprir sua função social. É muito importante que quem está começando se apropriar das ferramentas do jornalismo investigativo para furar o bloqueio”, afirma Adriano.

 

É muito importante que quem está começando se apropriar das ferramentas do jornalismo investigativo para furar o bloqueio”, afirma Adriano. (Foto: João Paulo Costa)

 

O repórter explica que busca furar o bloqueio da grande imprensa e fazer reportagens independentes, críticas e que tragam retorno à população, o que, para ele, seria a principal função do jornalismo. Adriano aconselha que os jovens jornalistas se apropriem das técnicas investigativas. “No começo vai ser difícil, as portas vão se fechar, mas com insistência a gente consegue abrir”, diz.

 

Além disso, reforça também a importância de “deixar as portas abertas” para a grande imprensa, alertando para outros fatores, como a segurança financeira e a estabilidade, que fizeram com que o jornalista pudesse realizar o trabalho que faz hoje. “Se quiser fazer uma coisa que seja mais crítica, mais independente, você tenha condições de fazer isso na sua própria plataforma ou até criando um veículo de jornalismo independente no qual você possa publicar essas matérias”, destaca.

 

Experiência

 

Adriano Wilkson relembra que, enquanto estudante da Facom, sempre aproveitava os momentos em que jornalistas já atuantes no mercado visitavam o espaço acadêmico para aprender com que já possui a prática. Para ele, retornar à universidade como palestrante representa uma oportunidade de troca e colaboração com os estudantes.

 

“Acho que o jornalismo ganha muito quando é feito de maneira coletiva. Então, se a gente conseguir um dia, com pessoas que estão aqui na faculdade, a gente fazer uma apuração junto, fazer uma colaboração junto e ajudar, levar a minha audiência também para outros jornalistas. Eu estou super disposto a fazer isso, acho que a gente só tem a ganhar”, avalia.

 

Para os estudantes presentes, a palestra foi uma oportunidade de conhecer novas áreas, como é o caso da estudante Isabella Santos, da turma de Jornalismo 2026. “Tenho interesse em jornalismo em geral, e como a nossa área nos joga para lugares que a gente nem imaginava, acho interessante ter contato com coisas que no momento não me sinto tão interessada”, diz.

 

Isabella conta que a palestra foi motivadora, especialmente para quem ainda está no primeiro ano. “Aprendi sobre jornalismo independente, porque o Adriano faz um trabalho muito legal e acho que é uma grande motivação, porque, apesar dos riscos e desafios da profissão, ele conseguiu construir uma trajetória profissional inspiradora.. É uma coisa de que a gente tem que fazer o que acredita”, destaca.

 

Já o estudante Felipe Vilhena, da turma de Jornalismo 2022, não possui interesse em fazer jornalismo investigativo, mas se interessa pelo tema. “É uma coisa que de certa forma acho que em todo mundo desperta uma vontade de fazer um jornalismo de qualidade mesmo, de apurar assim, porque é um trabalho que existe em todas as áreas de jornalismo. Aprendi sobre a importância de manter o compromisso com um jornalismo de qualidade e de nunca perder de vista os princípios da profissão. Sempre fazer com convicção do que se procura na nossa profissão”, argumenta.

 

*Com supervisão de Elson Santos, Professor Substituto na Faculdade de Comunicação da UFPA (Facom)

 

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