História

A Facom no século XX

    No ano de 1976, durante a ditadura militar no Brasil, a Universidade Federal do Pará passa a ofertar um novo curso: Comunicação Social. Contando com apenas dois professores e com pouca infraestrutura, o primeiro curso de comunicação gratuito do Pará abre as portas.

    Para mudar a situação e conseguir melhorias, houve uma mobilização entre os primeiros estudantes do curso, que, com o próprio dinheiro passaram a comprar livros para a biblioteca e a lutar pela criação de laboratórios. Foi neste contexto que, em agosto de 1979, surge o Centro Acadêmico de Comunicação (CACO), o segundo da Universidade. Após uma eleição acirrada com a participação de 5 chapas, a Chapa Comunicando, composta exclusivamente por mulheres, assumiu a liderança do CACO.

    Os desafios eram grandes, além das melhorias estruturais, também era preciso que o curso fosse reconhecido pelo Ministério da Educação (Mec). Muitas foram as tentativas de extinção, todas barradas pelos estudantes que realizavam manifestações pelo Campus Universitário. Foi então que, em 1981, alunos e professores se viram diante de uma nova situação: o tão sonhado laboratório já estava pronto, adquirido por meio de doações da Funarte e delegacia da Receita Federal, mestres foram contratados para compor o quadro docente e a biblioteca já contava com um número considerável de títulos, o que garantiu o reconhecimento do curso e de suas habilitações em Publicidade e Propaganda e Jornalismo, pelo Conselho Federal de Educação (CFE).

    Com apenas 13 anos de funcionamento, o curso de Comunicação da UFPA já somava várias conquistas, e, em 1989 foi dado um grande passo para uma qualificação ainda melhor: o primeiro projeto de pesquisa do curso. Com a coordenação da Professora Ruana Bertha, em parceria com a Companhia Vale do Rio Doce, o projeto tinha como objetivo abordar os impactos sociais, culturais, políticos e econômicos da Vale do Rio Doce no Sudeste do Pará, a partir do olhar da população local.

    O ano de 1991 teve dois grandes marcos para a história da FACOM: o nascimento do primeiro curso de pós-graduação de Comunicação – Especialização em Teoria e Metodologia da Comunicação, e da produtora audiovisual Academia Amazônia.

  Coordenada pelos professores Edson Berbary, Afonso Klautau e Juana Bertha, a especialização era voltada principalmente aos interessados em seguir a carreira da docência no campo da comunicação dentro da Universidade. O curso teve apenas uma turma.

    Já a produtora audiovisual surgiu a partir da necessidade de produção e divulgação de conteúdo científico-cultural da/na Amazônia, que foi alcançada por meio do programa Minuto da Universidade, por exemplo.  Inicialmente a Academia não integrava os projetos de extensão da Faculdade Comunicação, essa união aconteceu em 2008 e permanece desde então.

    No final dos anos 90, o curso de Comunicação ainda enfrentava problemas estruturais e em sua grade curricular, além da baixa qualificação dos docentes – somente um professor efetivo era doutor. Em 1997, foi iniciado o primeiro planejamento estratégico de organizações de práticas para melhorias na graduação.  O principal alvo do planejamento foi a priorização da qualificação docente. Nesse mesmo período surgiu a proposta de criar um mestrado para área de Comunicação na Universidade Federal do Pará.

A Facom no século XXI

    O ano de 2000, início de um novo século, significou também o início da era digital para o curso.  O vestibular para Comunicação Social passou a ser divido pelas habilitações em Jornalismo e Publicidade e Propaganda (2009); as máquinas de escrever foram substituídas por computadores, a internet passou a ser uma ferramenta importante no aprendizado, e os principais projetos de extensão da Faculdade foram iniciados.

    No ano de 2003, foi criado o projeto de extensão Oficina de Criação para atender os graduandos de Publicidade e Propaganda. O projeto é um espaço de elaboração e criação de logomarcas, identidades visuais e material gráfico, como cartazes e anúncios impressos, que aproxima os estudantes da prática do mercado de criação publicitaria. Em 2009, nasceu, durante o Fórum Mundial Social, a Rádio Web UFPA. O projeto de extensão é um novo canal de divulgação das atividades científicas e acadêmicas desenvolvidas pela UFPA.

     Após uma resposta negativa em 2004 da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (Capes) para a implantação do curso de mestrado de Comunicação, devido ao ainda baixo número de docentes doutores; em 2010 o problema já havia sido solucionado, e o Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia se tornou realidade. É o primeiro curso de mestrado gratuito e exclusivo stricto sensu em comunicação do Pará.

    No ano seguinte, mais um importante projeto de extensão foi criado: a Agência Cidadã, que presta assessoria a projetos solidários de incubadoras, pensando em suas estratégias comunicativas para fazer com que tenham uma maior visibilidade na região.

    Sempre em busca de melhorias, em 2013 os estudantes se uniram mais uma vez e deflagraram greve por maior infraestrutura nos laboratórios, em especial da disciplina de telejornalismo. Após reunião com o reitor Carlos Maneschy, na qual foram acordadas reformas estruturais e mudança na administração da Academia Amazônia, responsável pela cessão de técnicos e equipamentos cinematográficos ao curso, as aulas reiniciaram.

       No final do mesmo ano a Faculdade de Comunicação enfrentou uma situação delicada: o Ministério da Educação suspendeu o vestibular para o curso de Jornalismo do próximo ano, 2014. A suspenção aconteceu devido a nota insatisfatória do curso do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (ENADE), conceito 2, resultado do boicote dos estudantes ao exame, que não consideram eficaz.  No início do ano seguinte, uma liminar da Justiça Federal suspendeu a decisão do MEC e o vestibular para jornalismo foi novamente validado. Os calouros 2014 iniciaram as aulas normalmente.

       Caminhando para 40 anos de história, lutas e conquistas, a Faculdade de Comunicação implementa seu mais novo projeto de extensão: “FACOM 4.0: Razão e Sensibilidade”, que visa promover políticas de melhorias infra estruturais e de integração entre alunos e estudantes. Inicia-se uma nova etapa na Facom.