Em Belém, o vai e vem da fé: jornais, memória e Círio de Nazaré

Publicado por facom em 18 de dezembro de 2015 às 00:30

O mês de outubro é marcado por um período de intensa movimentação em Belém, capital do Pará. É a ocasião em que se realiza há 220 anos o Círio de Nossa Senhora de Nazaré. A grande movimentação também envolve a mídia paraense. Os jornais preparam edições especiais sobre a manifestação religiosa e cultural, que já tem lugar reservado na cobertura midiática. Diante dessa forte relação entre mídia e Círio de Nazaré, surge a proposta deste trabalho: refletir sobre a contribuição dos jornais publicados em Belém durante o século XIX, na construção da memória do Círio de Nazaré. Esta pesquisa qualitativa, de caráter exploratório, recorre à proposta metodológica desenvolvida por Michael Schudson (1993), conhecida como história propriamente dita, em que se trabalha a relação entre os meios de comunicação e as mudanças sociais. Durante o período definido, três fases, divididas em décadas, foram levadas em consideração: o início da produção periódica em Belém (1820-1830), o surgimento dos jornais diários (1840-1850) e as mudanças tecnológicas na produção das folhas que assumiram um caráter empresarial (1880-1890). Ao todo, foram seis jornais selecionados para análise, de acordo com a disponibilidade no acervo para consulta e a relevância na história da mídia impressa da capital paraense: Treze de Maio (1840), Diário do Gram-Pará (1853); A Epocha (1858); Diário de Belém (1868); A Província do Pará (1876); O Apologista Christão Brazileiro (1890). A estruturação teórica deste trabalho é baseada em discussões sobre os lugares de memória (NORA, 1993), o caráter social da memória (HALBWACHS, 2003) e as disputas na sua constituição e manutenção (POLLAK, 1989, 1992). Autores que trabalham a história do Círio de Nazaré e da imprensa no Brasil e no Pará também foram fontes bibliográficas utilizadas (SODRÉ, 2011; ROCQUE, 1981; BARBOSA, 2007, 2010; MAUÉS, 2012; COELHO, 1989, 2008; ALVES, 2002, 2012). Nos jornais, de notas de leilões a pequenos anúncios, de “festa popular do povo paraense” a “idolatria de iludidos”, a memória do Círio de Nazaré vem sendo construída desde as primeiras décadas da imprensa de Belém.

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