3ª EDIÇÃO DA CALDEIRADA – COMUNICAÇÃO E CULTURA

Publicado por Daisy Feio em 22 de agosto de 2017 às 17:14

Em 2017 o tema central do evento é o tempo

Texto: Daisy Feio

Propor a discussão sobre as diversas temporalidades, a regionalidade, o tempo amazônico, as narrativas regionais, o tempo da cultura. Esse é o propósito da terceira edição da Caldeirada – Comunicação e Cultura que, neste ano, será realizada nos dias 28, 29 e 30 de agosto e tem como tema central  “Gira do Tempo: Narrativas, fluxos, sensibilidades”.

A Caldeirada teve início em 2015, por meio do Projeto de Extensão Facom 4.0, hoje denominado Trama Coletiva, em parceria com coletivos de estudantes de Comunicação da faculdade, como a Na Cuia – Produtora Cultural. O evento, que começou como uma roda de conversa no Museu Emílio Goeldi, apresenta sua terceira edição em uma proporção maior, contando com o apoio de vários parceiros, como o Núcleo de Fotografia do Centro Cultural Sesc Boulevard, do blog Repórter E, do Teatro Universitário Cláudio Barradas e do Canal Futura.

 

  Caldeirada 2015

As políticas públicas voltadas à cultura foi o tema central da primeira Caldeirada em 2015

A professora Rosaly Brito, coordenadora do evento e vice-diretora da Faculdade de Comunicação, explica como nasceu a ideia de realizar a Caldeirada: “A Caldeirada surgiu com a proposta de ser um espaço de interface de discussão sobre comunicação e cultura. A comunicação vive entrelaçada com a cultura e a cultura com a comunicação. E por proposição de três iniciativas independentes – que eram a revista eletrônica Na Cuia, e os blogs Reduto Cult e Repórter E –, houve essa provocação por parte dos nossos alunos participantes desses coletivos. Nós embarcamos na proposta da Caldeirada e ajudamos a construí-la”.

Matheus Botelho, integrante da Na Cuia, uma das realizadoras do evento, relembra o percurso da Caldeirada: “Logo na primeira edição, em 2015, colocou em discussão as políticas públicas voltadas para a cultura da região de Belém. No ano seguinte, em 2016, já com a parceria do Sesc Boulevard, mais propriamente com o Núcleo de Fotografia, coordenado por Paula Sampaio, o evento tomou uma proporção bem maior, tendo assim a duração de quatro dias e promovendo debate acerca da imagem”, afirma o estudante de jornalismo da Facom.

Caldeirada 2016-Mesa de Abertura

Mesa de abertura da Caldeirada 2016. O evento teve uma participação grande do público, em quatro dias de evento

Caldeirada 2017

Segundo Matheus Botelho, neste ano, a Caldeirada continuará contando com uma programação interativa, cultural, que traz debates, discussões, rodas de conversa e principalmente reflexões atuais sobre temas que envolvem o nosso cotidiano, visando a promoção do diálogo entre a academia, os movimentos sociais e a sociedade.

A discussão sobre temporalidade é central em 2017. Rosaly explica como surgiu o tema: “O tempo, sem dúvida, é um vetor fundamental da cultura contemporânea, nós vivemos uma cultura nos ambientes urbanos, que é profundamente marcada pela velocidade em que tudo é rapidamente substituído […]. Porém a sociedade não tem um tempo só, há vários tempos que convivem em uma mesma sociedade. Se a gente tomar o Guamá mesmo como uma referência, de um lado do rio estamos imersos no tempo da cidade, esse tempo rápido e do outro lado do rio o outro tempo, vivido pelas comunidades ribeirinhas”. A professora conclui dizendo que o foco dessa Caldeirada é justamente propor uma reflexão sobre o tempo como uma categoria central da vida social, falar sobre o choque das temporalidades e levantar a  discussão entre a relação do tempo social com as temporalidades midiáticas.

Programação

Programacao Caldeirada 2017

Mesa de abertura – Na abertura do evento, uma mesa especial vai reunir dois temas tangentes à discussão do tempo: memória e Amazônia. O geógrafo e professor titular do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (NAEA/UFPA), doutor Saint-Clair Cordeiro da Trindade Junior, apresenta a palestra “Tempos amazônicos: espacialidades e coexistências das cidades da e na floresta”, discutindo a simultaneidade de fluxos temporais diferentes, especialmente em territórios como a Amazônia. Já a historiadora e doutora em Antropologia, Dayseane Ferraz da Costa, diretora do Sistema Integrado de Museus e Memoriais do Pará, traz à discussão o tema do “Tempo, memória e esquecimento”.

Ciclo de Pensamento – O professor Norval Baitello Junior, um dos maiores pesquisadores brasileiros sobre a Semiótica da Cultura, é o convidado especial desta terceira edição da Caldeirada. Professor titular do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Semiótica da PUC de São Paulo, ele irá ministrar o Ciclo de Pensamento que já no seu título instiga: “Tudo tem seu tempo… e nós nunca temos tempo”. Como tema, abordará o tempo-espaço como matéria prima da comunicação e formatador da cultura humana, “desde o tempo do gesto até o tempo do pixel e dos algoritmos que regulamentam nossa sociabilidade”. Um tema que traz muitas indagações, como provoca o professor Baitello: “Como encaramos o tempo nas bolhas algorítmicas em que vivemos? Como é o tempo do corpo? Como é o tempo da imagem? E o lânguido tempo da leitura?”.

Roda de Conversa – Contará com a participação de membros de movimentos sociais que discutirão “Os tempos da cultura”. Na roda de conversa, os convidados são: Dom Perna, ativista do coletivo Casa Preta; Dario Jaime, professor, ativista e Drag Queen; Fernanda Freitas, componente do Espaço Etnias Cultural, que acolhe produtores culturais diversos; e Tainá Marajoara, ex-aluna do curso de comunicação, componente do Iacitatá Amazônia Viva, engajada no movimento por defesa da natureza.

Minicurso – O coordenador de Projetos do Canal Futura, Marcio Motokane, vai ministrar o minicurso “Criadores de Formatos Audiovisuais”. Pós-graduado em Direção de Arte para TV e Cinema, e com experiência nos mercados nacional e internacional, Marcio promete promover uma discussão de conceitos, de formatos, estética e referência para estudantes, profissionais da área e interessados no assunto, com direito a exercícios na prática, em um momento de reinvenções dos processos criativos e de novas possibilidades no mercado.

Programação Cultural – Sempre ao final de cada programação haverá programação artística. Na abertura, dia 28, a Orquestra de Violoncelistas da Amazônia (OVA), prestes a embarcar em turnê internacional, se apresenta com o repertório clássico de releituras de sucessos da música nacional e estrangeira. No dia 29, a atração é o espetáculo de dança do grupo Movimentosete8, aqui de Belém. E para encerrar o evento, no dia 30, o Batuque do Dimmi se apresenta e chama o público pra dançar e celebrar.

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