GRUPO ENCENA “O CORTIÇO”

Publicado por Daisy Feio em 22 de março de 2017 às 17:54

Adaptação de clássico da literatura brasileira fala de preconceito, xenofobia e sexo com muita música e dança

Texto e fotos: Vagner Mendes

O Studio de Artes Tiago de Pinho realizou o espetáculo “O Cortiço”, adaptação teatral da obra de Aluísio de Azevedo, nos dias 11 e 12, sábado e domingo, no Teatro Margarida Schivasappa, em Belém. A peça abordou temas como preconceito, xenofobia, homofobia, racismo e sexo, com muita música, dança e emoção.

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Studio de Artes Tiago de Pinho encenou “O cortiço”, clássico da literatura brasileira, em Belém. Foto: Divulgação

O Studio trabalha com espetáculos desde 2015, colocando em prática os conhecimentos adquiridos pelos alunos e professores. Já produziu os espetáculos “Geni – De todas as almas” e “De repente, Hermanos”, com boa repercussão.

A obra escolhida conta a história dos moradores de um cortiço, os quais têm personalidades distintas e histórias marcantes, como a de Jerônimo e Rita Baiana. Os protagonistas são João Romão, Bertoleza e Miranda, que possuem uma relação de inveja, ambição e disputa pelo poder.

A mesma obra já havia sido montada pelo Studio como o resultado de uma oficina que teve duração de um mês. Foi o primeiro espetáculo realizado, porém de forma informal, sem grandes investimentos. Agora ela volta de forma mais profissional, com música ao vivo e 35 atores mais preparados.

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Música e dança fazem parte do espetáculo apresentado no teatro Margarida Schivasappa

“O cortiço’ é uma obra que fala muito do Brasil de hoje. Sendo que tudo se passava no século XIX, mas ainda trata sobre a mesma coisa, sobre divisão de classe, homofobia, e a forma como o imigrante é visto. É também dinâmico, pois tem seus altos e baixos, você chora, ri, se indigna, sente raiva e fica feliz”, relatou o diretor Tiago de Pinho. De acordo com ele, a experiência de realizar esse espetáculo foi muito boa, lotando o teatro nos dois dias.

O teste de seleção para o elenco durou três dias. O preparo deles foi em cerca de um mês e meio, com uma semana intensiva de ensaios e laboratórios para que o espetáculo ocorresse como planejado. “A gente precisava de atores muito fortes para o papel e nos testes observamos a força em cenas dele e a vontade de se doar”, comenta Tiago.

O ator Andrey Moura, que faz o protagonista João Romão, já interpretou vários personagens em espetáculos do estúdio, também sendo protagonista na peça “Geni – De todas as almas”. Ele informa que o seu novo personagem é super ganancioso e quer fazer fortuna de qualquer jeito.

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Amor e sexo estão entre os temas abordados pelo Studio Tiago de Pinho

A personagem Bertoleza, escrava, foi interpretada pela atriz e estudante de turismo Fabíola Martins, que estreou nesse espetáculo como uma das protagonistas. Ela estava muito ansiosa por sua primeira cena conter nudez explícita e esperando a última cena, com a morte de sua personagem. “A Bertoleza sai muito do que a Fabíola é. Então, eu tive um processo de laboratório muito grande para poder buscar o que era a essência da personagem, e do que eu precisava passar para o público”, disse a atriz.

A cantora Renata Del Pinho fez parte do espetáculo interpretando várias canções brasileiras, transmitindo emoção e arrancando aplausos. Emocionou o público ao cantar a música “O mundo é um moinho”, do cantor e compositor brasileiro Cartola.

O espetáculo recebeu muitos elogios e críticas positivas e construtivas. Segundo o estudante Patrick Cardoso, que assistiu atentamente à peça, a encenação deixou um “gostinho de quero mais”.

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