PESQUISADORA FAZ CRÍTICA

Publicado por Primeiras Linhas em 22 de fevereiro de 2017 às 11:12

Professora Kelly Prudêncio analisa a cobertura do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e condena a falta de problematização pela mídia

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Texto: Krisllen Mayra

Foto: Ivana Matos

Um evento em comemoração aos 40 anos da Faculdade de Comunicação (Facom) da Universidade Federal do Pará (UFPA) foi realizado no auditório do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ), no dia 16 de fevereiro, e promoveu o debate sobre Comunicação e Democracia, essencial na formação dos profissionais de comunicação. Entre os palestrantes estava Kelly Prudêncio, Pós-Doutora em Sociologia Política e Professora do curso de Comunicação da UFPR, que já havia visitado Belém em 2014, para participar do encontro da COMPÓS (Associação Nacional de Programas de Pós Graduação em Comunicação).

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Professora e pesquisadora Kelly Prudêncio falou sobre os discursos da mídia

A convidada apresentou questões pertinentes como o papel da comunicação na democracia, evidenciando que o desenvolvimento do regime democrático depende de espaços de discussão. Por isso, segundo ela, Comunicação e Democracia se confundem. Kelly também fez uma observação em relação à graduação. “Um dos desafios da formação em comunicação é esse, estudar mais teoria política, teoria social, teoria literária, teoria da comunicação. Muito mais importante do que reproduzir técnicas de produção que já não comunicam mais”, afirmou.

Kelly acredita que haja certa “preguiça” na cobertura noticiosa da política no Brasil, o que contribui para o desinteresse público acerca do assunto. E aproveitou o debate para revelar dados preliminares de sua pesquisa em grupo, que analisa a cobertura do processo de impeachment e mostra como se comportou a mídia, a responsável pelo debate público das questões coletivas. Segundo o estudo, o assunto foi tratado como uma questão técnica e absolutamente normal do sistema político, em que a mídia não problematizou as consequências para a democracia.

A pesquisadora defendeu que a comunicação é um processo fundante da sociabilidade e que é necessário que os profissionais entendam isso, e não reproduzam o senso comum. “A gente está no momento em que a formação nos cursos de Comunicação tem que prestar atenção nisso, mais do que formar para mercado, acho que tem que formar para a sociedade, intérpretes da sociedade”, declarou.

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